Jorge dos Anjos: processos de criação, linguagens e materialidades

No Criarte desta semana, vamos conhecer o trabalho do artista mineiro Jorge dos Anjos, que tem uma grande produção no campo da escultura, mas também explora outras linguagens em seus processos de criação.

Natural de Ouro Preto (MG), o artista estudou na Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP) entre 1970 e 1976 e teve a pintura como sua primeira linguagem, estando também envolvido com o desenho e a gravura. A escultura é uma parte significativa da produção do artista, explorando o ferro e suas possibilidades e trabalhando também em pedra-sabão, encontrada na região de Ouro Preto. Muitas de suas esculturas nascem do desenho e de pequenas estruturas em papel, por meio das quais diferentes configurações e formatos são experimentados. Posteriormente, essas estruturas podem vir a se tornar grandes esculturas de metal ou outros materiais.

Seu processo de criação teve influências do movimento Construtivista e do Neoconcretismo e se consolidou na observação e na experimentação dos materiais através dos ensinamentos de seu professor Amilcar de Castro. As formas de suas obras têm origem na arte concreta, na religiosidade e em suas raízes africanas. Jorge dos Anjos já criou várias esculturas para espaços públicos, possibilitando, com isso, um maior contato entre as pessoas e suas obras.

Escultura chapa de aço, Jorge dos Anjos, 215x45x36cm (cada). Fonte: Catálogo da exposição “Instante infinito”, BDMG Cultural, 2017.
Escultura chapa de aço, Jorge dos Anjos, 120x120x120cm. Fonte: Catálogo da exposição “Instante infinito”, BDMG Cultural, 2017.
“Ele e Ela”, Escultura chapa de aço, Jorge dos Anjos, 300x16x60cm (cada). Fonte: Catálogo da exposição “Instante infinito”, BDMG Cultural, 2017.

Em 2016, o artista participou do programa “Arteminas — O que sei, tinha sido o que foi”, com a exposição “Rígido e Flexível — A forma encontra o seu lugar”, na Galeria Arlinda Corrêa Lima, no Palácio das Artes. Nessa exposição ele explora as potencialidades dos materiais e novos elementos construtivos são incorporados às suas obras. A rigidez do metal, que às vezes se mostra maleável em suas dobras, dialoga com a borracha, a pedra-sabão, a pólvora e as marcas de ferro no feltro.

Observe as imagens a seguir, que apresentam algumas obras da exposição “Rígido e Flexível — A forma encontra o seu lugar”.

Repare como os materiais utilizados permitem compor esculturas rígidas e maleáveis, criando formas inusitadas e explorando as cores, além de propor outras disposições no espaço expositivo, como no caso das instalações.

Obra da exposição “Rígido e Flexível – A forma encontra o seu lugar”, Jorge dos Anjos, “Arteminas – O que sei, tinha sido o que foi”, 2016. Fonte: Catálogo da exposição.
Obra da exposição “Rígido e Flexível – A forma encontra o seu lugar”, Jorge dos Anjos, “Arteminas – O que sei, tinha sido o que foi”, 2016. Fonte: Catálogo da exposição.
Obras da exposição “Rígido e Flexível – A forma encontra o seu lugar”, Jorge dos Anjos, “Arteminas – O que sei, tinha sido o que foi”, 2016. Fonte: Catálogo da exposição.
Obra da exposição “Rígido e Flexível – A forma encontra o seu lugar”, Jorge dos Anjos, “Arteminas – O que sei, tinha sido o que foi”, 2016. Fonte: Catálogo da exposição.
Obras da exposição “Rígido e Flexível – A forma encontra o seu lugar”, Jorge dos Anjos, “Arteminas – O que sei, tinha sido o que foi”, 2016. Fonte: Catálogo da exposição.

Ao explorar novos materiais, o artista se depara com desafios inéditos, com formas diferentes de manipular e trabalhar os elementos que serão transformados em arte. Você já pensou em utilizar materiais diversos em suas criações? Já se deparou com obras em materiais inusitados? 

Compartilhe com a gente suas percepções sobre os trabalhos de Jorge dos Anjos e seus processos de criação! 

Curiosidade:

Uma das obras do artista instalada em espaço urbano é o “Portal da Memória”. Inaugurado em 2007, o monumento está localizado na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), em um lugar dedicado à Iemanjá. Esse trabalho faz uma homenagem às raízes culturais africanas, muito presentes nas obras de Jorge dos Anjos.

“Portal da Memória”, Jorge dos Anjos, Pampulha, Belo Horizonte (MG). Fonte: Banco de Imagem/Adobe Stock.

Sobre o autor:

Giovane Diniz é licenciado em Artes Plásticas, mestre em Artes Visuais, artista plástico, professor e mediador cultural na Escola de Artes Visuais do Cefart – FCS.